1.
Introdução
Terra de
exploradores, montanhistas, navegantes, índios e dinossauros, um dos
destinos onde a aventura representa o principal dos pontos cardeais,
a Patagônia é uma das mais belas regiões do planeta e compreende uma
imensa área ao sul do nosso continente, estendendo-se por parte dos
territórios de dois países do Mercosul: a Argentina e o Chile.
Na ARGENTINA
está situada ao sul do Rio Colorado e se divide em duas sub-regiões:
a primeira constituída por cadeias montanhosas permeadas por vales,
bosques, lagos e geleiras e, a segunda, formada por uma gigantesca meseta
de variada morfologia, constituída por serras, desertos, depressões,
infinitas estepes e amplos vales fluviais. Representando um terço do
território nacional, a Patagônia Argentina compreende as províncias
de Neuquén, Rio Negro, Chubut, Santa Cruz e Tierra del Fuego, além dos
postulados territórios na Antártida e em ilhas do Atlântico Sul.
Já no CHILE,
a Patagônia engloba as Cordilheiras da Costa e dos Andes desde o Rio
Biobío até o ponto onde mergulham no oceano e desmembram-se em um arquipélago
com mais de 2.000 Km de extensão, composto por milhares de ilhas cobertas
de selva e infindáveis fiordes e canais em grande parte inexplorados.
Paralela a este quebra-cabeça de ilhas, segue a faixa continental andina
reunindo uma seqüência de montanhas nevadas, geleiras, vulcões, e magníficos
vales interiores recobertos por florestas frias e sulcados por rios
torrentosos, até terminar na extensa planície pampeana da Terra do Fogo.
Dentro
da divisão política do país estão abrangidas pela Patagônia chilena
as regiões VIII-Biobío, IX-Araucanía, X-Lagos, XI-Aisén e XII-Magallanes
e Antártida Chilena.
Resumir
este imenso parque de diversões para aventureiros é um desafio para
qualquer um. Desta maneira, mesmo deixando de lado inúmeros lugares
fantásticos, escolhemos alguns dos destinos mais representativos da
Patagônia os quais, sem dúvida, irão maravilhar os mais exigentes aficcionados
do trekking, montanhismo, off-road, caiaque, rafting, pesca, mergulho,
vela e uma infindável variedade de atividades de aventura ligadas à
natureza.
2.
Principais atrações:
2.1. Península
Valdéz - Argentina
2.2. Terra do Fogo - Argentina e Chile
2.3. Punta Arenas e Estreito de Magalhães - Chile
2.4. Puerto Natales e Torres del Paine - Chile
2.5. El Calafate e Glaciar Perito Moreno - Argentina
2.6. Carretera Austral e Laguna de San Rafael - Chile
2.7. El Chaltén e Cerros Torre e Fitzroy - Argentina
2.8. Bariloche e Cerro Tronador - Argentina
2.9. Ruta 40 - Rio Gallegos a Mendoza - Argentina
2.10. Antártida e Ilhas do Atlântico Sul - Argentina e Chile
3.
Como chegar?
A Patagônia
pode ser visitada por via aérea, com inúmeras companhias atendendo
a todas as principais cidades do território, por via terrestre em ônibus
ou automóvel atravessando a fronteira sul do Brasil com o Uruguai ou
com a Argentina, ou via marítima em navios de cruzeiro e embarcações
à vela.
4.
Alimentação
Na Argentina,
misto de cultura espanhola com colonização européia, os costumes alimentares
são muito semelhantes ao Brasil, em especial com a comida gaúcha. A
carne de gado e de cordeiro, uma das melhores do mundo, é prato básico
nas refeições, sendo o prato nacional a parrillada, um tipo de
assado feito na grelha onde estão incluídos também os miúdos do boi.
O lanche comum e econômico é o milanesa al pan, um sanduíche
recheado com grandes bifes à milanesa, equivalente típico ao baurú brasileiro.
Nos riachos
frios da zona andina argentina e chilena a truta é facilmente encontrada,
assim como os frutos-do-mar são um ponto forte na zona do Estreito de
Magalhães, na Terra do Fogo e em todo o litoral do Chile. Neste último
país os frutos do mar são a grande atração. O salmão, o congrio (a quem
Pablo Neruda dedicou uma ode), a truta, os mariscos e os ouriços podem
ser encontrados a preço de McDonald´s.
Nas águas
frias do Estreito de Magalhães e do Canal de Beagle é pescada a centolla,
uma espécie de caranguejo gigante (king crab), especialmente
apreciado e servido como fina iguaria em restaurantes especializados.
O curanto
é o prato típico de frutos-do-mar dos pescadores do sul do Chile e presença
obrigatória nas festas locais da ilha de Chiloé. Um rigoroso cuidado
deve ser tomado com pratos à base de marisco na Terra do Fogo, eis que
a coleta dos mesmos está proibida por estarem contaminados pelo fenômeno
da maré vermelha, a qual já dura mais de cinco anos na zona do
Canal de Beagle e adjacências.
Ainda no
Chile são deliciosos os temperos de base indígena mapuche como o merquén,
as pimentas como o ají, as frutas (cerejas, pomelos, chirimoyas,
nectarinas e inúmeras outras) e - dica para os gourmands - as
callampas, o funghi desidratado chileno bastante valorizado
no Brasil e baratíssimo nos mercados chilenos.
Tanto na
Argentina quanto no Chile não há problemas para os adeptos da alimentação
vegetariana e, quanto à bebida, vale lembrar que as regiões de Mendoza
na Argentina, e do Valle del Maipu, no Chile, são famosas por
produzirem alguns dos melhores vinhos do mundo.
5.
O que levar?
Moeda
- A moeda Argentina é o peso argentino, cotado em um para um com o dólar
americano. O custo de vida sensivelmente mais alto que no Brasil torna
a passagem pelo país um tanto dispendiosa. Na Argentina o dólar circula
livremente em todo o país, o que ocorre com restrições no Chile, onde
a moeda é o peso chileno e os preços são semelhantes ao Brasil.
Documentos
- Em ambos os países a entrada de brasileiros é autorizada mediante
a apresentação da carteira de identidade nacional (atenção: não são
aceitas carteiras emitidas por órgãos de classe como OAB, CRM, COREN,
etc.), não sendo necessários passaporte ou visto. A carteira de alberguista
da Youth International Hostelling é bastante útil na Argentina,
onde existe uma rede de excelentes albergues espalhados pelos mais recônditos
locais da Patagônia, oferecendo alternativa de ótima hospedagem com
um custo médio de US$ 12,00 por pessoa a diária.
Automóvel
- Para os que viajarem em automóvel próprio, deve-se atentar para que
os documentos do veículo estejam em nome de um dos passageiros, sendo
livremente aceita a carteira nacional de habilitação brasileira.
Ao contrário do que erroneamente tem sido divulgado em alguns meios,
não é obrigatória a carteira de motorista internacional emitida pelo
Touring Clube do Brasil.
Entretanto, o seguro carta verde é exigido para todos os veículos que
circulam entre os países do Mercosul e o mesmo pode ser adquirido facilmente
nas melhores seguradoras.
Como a polícia rodoviária argentina é especialmente exigente na fiscalização
de equipamentos obrigatórios no veículo, uma boa dica é antes de viajar
passar no consulado argentino mais próximo e pedir uma cópia da legislação
básica de trânsito, a fim de equipar o seu automóvel e depois guardá-la
no porta-luvas do carro, o que servirá para dirimir qualquer dúvida
em caso de eventuais paradas em barreiras policiais.
Recomenda-se não deixar de equipar o veículo com pelo menos água e combustível
extras, dois estepes e tela de proteção para o pára-brisa em razão do
alto risco de danos nas estradas de rípio (cascalho) e as grandes distâncias
muitas vezes existentes entre as zonas habitadas.
Na Argentina o combustível torna-se mais barato ao sul do Paralelo 42,
representado pelas localidades de Sierra Grande na Ruta 3 (litoral)
e de El Bolsón na Ruta 40 (interior), em razão dos subsídios concedidos
pelo governo federal ao desenvolvimento da região patagônica.
Roupas
- Mesmo no verão, vá preparado para o frio e o vento. Enquanto se pode
andar de bermuda e camiseta durante o dia, à noite é comum a temperatura
aproximar-se de 0ºC no extremo sul do continente ou nas zonas de montanha
e não raro ocorrem nevascas em plena época quente.
A chuva é abundante nos bosques chilenos e, do lado argentino, apenas
nas latitudes mais baixas das Províncias de Santa Cruz e Tierra del
Fuego.
Se a época escolhida for o inverno, prepare-se para encontrar abundância
de neve em algumas regiões e temperaturas que podem chegar a -0ºC.
Personagem típico da Patagônia é o vento frio do pampa e as fortíssimas
rajadas chamadas de viento huracanado na zona de montanha ou
de wiliwaus na Terra do Fogo, terror dos navegantes e montanhistas.
Equipamentos
- um pequeno binóculo será muito útil para a observação da farta fauna
silvestre e das magníficas paisagens patagônicas. Quem pretende acampar,
levar um saco de dormir compatível com temperaturas abaixo de zero e
uma barraca apropriada para resistir ao vento.
Guias
- Os melhores guias de viagem são o Guia YPF - Patagônia y Antártida
Argentina e o seu equivalente chileno Guia Turística de Chile
Sur - Turistel. Ambos são editados no estilo dos tradicionais guias
europeus Michelin, anualmente atualizados e encontrados em bancas de
revistas e postos de gasolina ao preço médio de US$ 10,00.
Um bom complemento são os guias Lonely Planet Argentina, Uruguay
& Paraguay (US$ 21,95) e Trekking in the Patagonian Andes
(US$ 17,95), disponíveis apenas em inglês e considerados no mundo todo
como as melhores companhias para quem gosta de viajar de forma independente.
Os motoristas poderão encontrar ótimos mapas rodoviários na Argentina,
também em postos de gasolina e bancas de revista.
Peça por mapas carreteros da série Auto Mapa, de capa
vermelha e adquiridos conforme a região desejada. O de número 44 refere-se
à Patagônia e Terra do Fogo em conjunto.
6.
Cuidados
O sul do
continente e, especialmente a zona do Estreito de Magalhães e da Terra
do Fogo, está localizado sob uma das grandes falhas da camada de ozônio,
sendo fortemente recomendado o uso constante de bloqueadores solares
e de óculos com proteção UV.
De modo
geral não são países perigosos para o viajante, o qual, entretanto,
como em qualquer lugar do mundo, não deverá ser descuidado e nem se
expor de forma imprudente. Viajar de carona, ou a dedo conforme
a gíria local, é comum nas grandes distâncias patagônicas.
Não são
obrigatórias quaisquer vacinas.
7.
Geografia
Reunindo
uma grande diversidade de paisagens e habitats que variam desde a alta
montanha, os campos de gelo, o deserto, a estepe, a tundra, a floresta
fria e os bosques austrais, uma razoável parcela da Patagônia está protegida
pela criação de pelo menos 12 parques e reservas nacionais na Argentina
e outro tanto em território chileno.
As temperaturas
registradas variam desde as mais baixas do continente até os 45ºC, desabando
chuvas torrenciais na zona nos bosques cordilheiranos do Chile enquanto
o ar é tórrido e seco nos desertos da meseta central argentina.
São comuns
as geleiras gigantescas, montanhas, lagos e rios formados de degelo,
bem como paisagens pampeanas, desertos e bosques de árvores típicas
da floresta úmida como alerces e araucárias centenárias.
A pesca,
a pecuária, a lã, as frutas e o petróleo são os principais produtos
da região, além do turismo.
O litoral
marítimo é famoso por reunir algumas das maiores colônias de pingüins
do mundo, além de ser santuário para reprodução de baleias, lobos marinhos
e uma enorme variedade de pássaros.
8.
Hospedagem
Os hotéis
não são baratos na Argentina, mesmo os de categoria econômica. Em razão
disto os albergues da juventude são uma excelente opção com um padrão
internacional de hospedagem a US$ 10,00 a diária, facilidades e com
livre acesso para todas as pessoas.
No Chile
os albergues não são tão comuns, mas em compensação existe um grande
numero de pensões caseiras a preços médios também de US$ 10,00 a diária
ou ainda menos.
Os campings
são fáceis de encontrar em ambos os países e existe uma grande variedade
de opções no que se refere a excelentes lodges, fazendas, refúgios de
montanha, cabanas e hotéis, especialmente na região da Terra do Fogo
e na Patagônia Chilena.
Como crème
de la crème destaca-se o caríssimo Hotel Explora, com privilegiada
localização no coração do Parque Nacional Torres del Paine, no Chile,
um dos melhores estabelecimentos do mundo no gênero.
9.
Informações úteis
A privatização
dos serviços de comunicação na Argentina e no Chile foi iniciada muitos
anos antes do Brasil. A conseqüência disto é que existe em ambos os
países um ótimo sistema de telecomunicações presente nas localidades
mais longínquas oferecendo, além dos tradicionais correio, fax e telefone,
o acesso ao correio eletrônico. O mesmo serviço é disponibilizado nos
albergues, facilitando muito a vida dos viajantes.
Zonas francas
poderão ser encontradas em Ushuaia e em Punta Arenas, esta última com
preços bem mais convidativos e ocupando uma imensa área de compras onde
são vendidos desde alfinetes até automóveis.
Tanto no
Chile quanto na Argentina a acolhida ao turista é hospitaleira, qualidade
que se ressalta no homem do interior acostumado à vida isolada em razão
das grandes distâncias. A cultura e os hábitos do homem pampeano, representado
no Brasil pela figura do gaúcho, presente no Rio Grande do Sul e em
partes de Santa Catarina e do Paraná, adentra Argentina e Chile e prolonga-se
em direção ao sul por uma faixa ininterrupta até os confins da Terra
do Fogo, mesclando-se com bolsões de descendentes de imigrantes europeus
com a forte cultura indígena autóctone. Assim, não será nenhuma surpresa
se, em algum destes países, o viajante for convidado a sentar-se frente
ao fogo e acolhido com uma cuia de chimarrão, localmente chamado de
mate, representando não só a bebida nacional como também um franco e
representativo sinal de hospitalidade.
Boa viagem!
10.
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El Sur del Sur - Site mantido pela Secretaria de la Nación Argentina
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Planet Online
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Alegre, Julho de 1999.