No
Brasil, o canionismo (grafia em língua portuguesa para a expressão canyoning,
comumente utilizada) é freqüentemente confundido com o cascading.
As
duas atividades, contudo, guardam características próprias, que os distinguem
de forma definitiva. O canionismo consiste em seguir o percurso traçado
por um curso d'água no interior de um cânion. Nessa atividade são utilizadas
várias técnicas oriundas das mais diversas atividades, sobretudo da
espeleologia e do montanhismo. O cascading, por sua vez, é a
atividade que consiste na descida de cascatas ou cachoeiras. Em outras
palavras, no canionismo, a atividade se inicia no começo do cânion e
só se encerra no seu final, desenvolvendo-se por todo um percurso, que
pode, ou não, incluir a descida de cascatas e cachoeiras. No cascading,
a atividade resume-se à própria descida da cascata ou cachoeira, sem
que seja seguido um percurso maior.
À
primeira vista, a diferença entre as duas atividades pode não parecer
significativa, podendo-se mesmo pensar que o cascading seria
parte do canionismo. Há, no entanto, profundas diferenças entre as atividades,
inclusive no que tange às técnicas e equipamentos utilizados naquilo
que ambos possuem em comum, vale dizer, a descida de cascatas e cachoeiras.
De
fato, no cascading se utiliza cordas simples e fixas, ancoradas
no topo da cascata, enquanto no canionismo utiliza-se a corda dupla,
de modo a que possa ser recuperada na base da cascata. Isso implica,
por exemplo, diferenças nos tipos de freios a serem utilizados (já que
nem todos os freios comportam o uso com corda dupla ou apresentam a
maneabilidade e versatilidade exigidas no canionismo), além de impor
aos praticantes do canionismo preocupações com a recuperação da corda
(que vão se refletir de forma definitiva na seleção da ancoragem), que
não se apresentam para o praticante do cascading. Além disso,
o praticante do canionismo deverá dominar muitas outras técnicas além
do rapel, como natação em corredeiras, saltos, etc.
Deve-se,
então, ter-se bem presentes as diferenças entre o canionismo e o cascading,
guardando-se as características próprias de cada uma das atividades.
Até para evitar confusões, especialmente agora, quando o Brasil começa
a despontar como uma das destinações mundiais para a prática do canionismo.

Porto
Alegre, 07 de Novembro de 2000.